MICRORGANISMOS ISOLADOS DE BARATAS (Periplaneta americana) EM UM HOSPITAL PÚBLICO DE GRANDE PORTE DA REGIÃO CENTRO OESTE.1

Marinésia Aparecida do Prado2


PRADO, M. A. Microorganismos isolados de baratas (Periplaneta americana) em um hospital público de grande porte da região Centro Oeste. Revista Eletrônica de Enfermagem (on-line), v. 4, n.1, p. 61, 2002. Disponível em http://www.fen.ufg.br


RESUMO: As baratas são carreadoras em potencial de microrganismos levando-os na superfície do seu corpo para os materiais esterilizados, equipamentos e alimentos não-contaminados, seja no ambiente, hospitalar ou domiciliar. Epidemiologicamente, as baratas devem ser consideradas um importante vetor de infecções. O objetivo deste estudo foi isolar e a identificar os microrganismos da superfície de baratas em  um hospital, assim como determinar o perfil de suscetibilidade antimicrobiana das bactérias isoladas da superfície das baratas. As baratas foram capturadas no ambiente hospitalar, nos períodos matutino e noturno, sendo as mesmas colocadas em frascos previamente limpos e desinfetados com álcool a 70%, em seguida transferidas para um frasco estéril e levadas ao laboratório. Consideraram-se, para o estudo, as baratas que se encontravam íntegras e vivas, as quais foram imobilizadas a uma temperatura de 0o C por um período de 5 a 20 minutos. As baratas foram retiradas dos frascos com o auxílio de pinça hemostática Kelly estrerilizada, colocadas em solução salina estéril 0,8% e homogenizadas. Esta solução foi semeada em placas de Petri contendo meios de cultura: ágar Macconkey, ágar Naito, infusão de cérebro e coração (ágar BHI), ágar Saboraud, ágar Manitol, e incubadas a uma temperatura de 370  C,  por um período de 24 a 48 hs, sendo o ágar Saboraud incubado à uma temperatura ambiente por 7 dias, em seguida, examinadas em um estereomicroscópio para a contagem das unidades formadoras de colônia (ufc) de acordo com Westergreen & Krasse (1978), a seguir identificadas segundo à taxonomia padrão descrita por KONEMAN et al. (1993). O isolamento dos microrganismos, foi realizado de acordo com o método preconizado por FOTEDAR et al. (1991). Para a determinação do perfil de suscetibilidade aos antimicrobianos utilizou-se o teste de difusão de disco, recomendado pela National Committe for Clinical Laboratory Standards (2000). A análise estatística foi realizada no programa EPI-INFO, V.6.04. O estudo revelou: a prevalência de fungos 97,0%; de enterobactérias 56,0% e estafilococos coagulase negativo (ECN) 25,4%. Identificaram-se 15 espécies de enterobactérias com predomínio de K.pneumoneae 12,7%; E. aerogenes 10,3%; Serratia marcescens 9,5%; de Hafínia alvei 8,7%; de E. gergoveae e E. cloacae 6,3%; de Serratia sp 4,7% e outras. Detectou-se uma resistência significativa das espécies de enterobactérias e dos ECN aos antimicrobianos, inclusive à oxacilina. Concluiu-se que as baratas são carreadoras de microrganismos de interesse para as IH e que os resultados apresentados na pesquisa podem estar associados às condições de saneamento ambiental da instituição, ao uso inadequado de antimicrobianos e à oferta aleatória de alimentos, propiciando a proliferação desses insetos.

 

 


1 Dissertação de Mestrado defendida em 08/03/2002, no programa de Pós-Graduação em Enfermagem Fundamental da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, sob orientação da Profa. Dra. Elucir Gir;

2 Enfermeira, Mestre em Enfermagem Fundamental, Professora Assistente da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás. maprado@fen.ufg.br