RISCO BIOLÓGICO E BIOSSEGURANÇA NO COTIDIANO DE ENFERMEIROS E AUXILIARES DE ENFERMAGEM1

 Adenícia custódia Silva e Souza2 


SOUZA, A. C. S.  Risco biológico e biossegurança no cotidiano de enfermeiros e auxiliares de enfermagem. Revista Eletrônica de Enfermagem (on-line), v. 4, n.1, p. 65, 2002. Disponível em http://www.fen.ufg.br


RESUMO: Este estudo teve como objetivo identificar o conhecimento da equipe de enfermagem e caracterizar a sua prática quanto à biossegurança relacionada aos riscos biológicos, bem como identificar as crenças referidas por esta equipe quanto aos comportamentos preventivos. Os dados foram coletados através de questionário e entrevista conforme preconizado pela técnica de incidentes críticos. Estes instrumentos foram validados e aplicados aos enfermeiros e auxiliares de enfermagem de um hospital-escola após a observação dos aspectos ético-legais. Os dados foram analisados de forma quanti-qualitativa segundo a técnica de incidentes críticos. A amostra foi constituída por 226 profissionais, sendo 59,3% enfermeiros e 40,7% auxiliares de enfermagem. Os resultados mostraram que apesar destes profissionais conhecerem as medidas de biossegurança recomendadas para a prevenção de acidentes com material biológico, não as têm empregado no cotidiano de sua prática. A prática relacionada à biossegurança foi caracterizada por velhos hábitos e atos inseguros que expõem os profissionais aos riscos biológicos. Os maiores riscos foram os representados por acidentes com perfurocortantes , principalmente após o seu manuseio, situações estas que em sua maioria poderia ter sido evitada pela adoção de medidas de biossegurança. As conseqüências oriundas de exposição com risco iminente de contaminação foram permeadas pelo medo de se contaminar e pelo transtorno emocional; situações estressantes, mas que desencadearam respostas cognitivas e afetivas importantes para a modificação dos hábitos, em busca de comportamentos seguros. A ocorrência de situações ameaçadoras levaram à percepção da susceptibilidade aos riscos e os benefícios percebidos pelo uso do EPI, representaram reforço positivo para o seu uso.

 

 


1 Tese de Doutorado apresentada ao Programa Interunidades de Doutoramento em Enfermagem da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP, no dia 02 de fevereiro de 2001, sob orientação da Profa. Dra. Elucir Gir;

2 Enfermeira, Doutora em Enfermagem, Professoa Adjunto da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás. adenicia@fen.ufg.br