PREVALÊNCIA de estafilococos RESISTENTES À METICILINA em PROFISSIONAIS DE SAÚDE de uma unidade de terapia intensiva de goiânia – goiás1.

Ana Luiza Neto Junqueira2


JUNQUEIRA, A. L. N.  Prevalência de estafilococos resistentes a meticilina em profissionais de saúde de uma Unidade de Terapia Intensiva de Goiânia – Goiás. Revista Eletrônica de Enfermagem (on-line), v. 4, n.1, p. 63, 2002. Disponível em http://www.fen.ufg.br


RESUMO: Os estafilococos resistentes à meticilina (MRS) são importantes patógenos nosocomiais. Os profissionais de saúde têm um alto risco  de exposição a este microrganismo. A unidade de terapia intensiva (UTI) é local de risco para as infecções por MRS. Este trabalho tem como objetivo isolar e identificar cepas de estafilococos de amostras de saliva e da narina de profissionais de saúde da UTI do Hospital de Urgências de Goiânia - Goiás, detectar cepas resistentes à meticilina/oxacilina, o gene mecA e propor medidas para controle de MRS em profissionais de saúde da UTI. Foram isoladas 132 cepas de estafilococos de 52 profissionais, 106 (80,3%) identificadas como Staphylococcus aureus, e 26 (19,7%) como estafilococos coagulase negativa (ECN). De acordo com sítio anatômico, as taxas de prevalência para S. aureus  e ECN na saliva foram de  61,0% e 39,0% e na narina de 77,0% e 23,0% respectivamente. O perfil de suscetibilidade dos estafilococos isolados dos dois  sítios aos antimicrobianos testados foi semelhante. Os Staphylococcus aureus apresentaram semelhança na resistência à eritromicina, ceftriaxona, penicilina  à oxacilina, nos isolados da narina e saliva respectivamente. Todas as cepas foram sensíveis à vancomicina. Porém houve uma diferença de suscetibilidade em relação a tetraciclina, mostrando uma resistência nas cepas da narina de 35,8% enquanto que nos isolados da saliva o percentual de resistência foi de 27,5% (p<0,05). Quando observados os ECN, a suscetibilidade foi semelhante nos isolados da saliva e narina para todos os antibióticos testados. Em relação  à vancomicina, assim como observado para cepas de S. aureus, não foram detectados ECN resistentes. A prevalência de portadores de MRS foi de 53,8%. Dentre os profissionais analisados os de enfermagem representaram 82,7% da população, e destes, 63,1% foram  identificados como portadores de MRS, como também 33% dos médicos portavam este microrganismo na saliva ou narinas. A presença do gene mecA foi pesquisada pela reação em cadeia de polimerase (PCR) em 68 cepas de estafilococos sendo  38 MRS e 30 sensíveis à meticilina. Das 38 cepas de MRS o gene foi detectado em 22 (57,9%).  Além disso, o mecA foi detectado em 7 (23,3%) cepas identificadas como meticilina sensíveis. Desta forma, observando a alta prevalência de MRS em profissionais de saúde de UTI enfatiza a necessidade da implementação do controle dos MRS, com a descolonização dos portadores, lavagem efetiva das mãos e o cumprimento das medidas de precauções padrão para portadores de microrganismos multirresistentes à antibióticos.

 

 


1 Dissertação de mestrado em microbiologia, área de concentração bacteriologia, defendida em 11 de agosto de 2000, no Instituto de Patologia e Medicina Tropical da Universidade Federal de Goiás, sob a orientação do Prof. Dr. Cleomenes Reis.

2 Enfermeira, Mestre em Microbiologia, Professora Assistente da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás. ananeto@fen.ufg.br