HOLISMO SÓ NA TEORIA: A TRAMA DOS SENTIMENTOS DO ACADÊMICO DE ENFERMAGEM SOBRE SUA FORMAÇÃO 1

ELIZABETH ESPERIDIÃO 2


ESPERIDIÃO, E. Holismo só na teoria: a trama dos sentimentos do acadêmico de Enfermagem sobre sua formação. Revista Eletrônica de Enfermagem (on-line), v. 4, n. 1, p. 69, 2002. Resumo. Disponível em http://www.fen.ufg.br


 

RESUMO. As tendências atuais na capacitação de recursos humanos apontam para o desenvolvimento de profissionais com uma postura crítica e reflexiva, com habilidades que vão além dos aspectos técnicos, constituindo-se um grande desafio para as instituições formadoras. Na formação do enfermeiro notamos também esse movimento e apesar do amplo discurso da integralidade do ser humano, acreditamos que a dimensão técnica é ainda mais enfatizada, desconsiderando a necessidade de instrumentalizar o processo de crescimento interno do profissional. Entendemos que não há como desvincular a dimensão profissional da pessoal, ou seja, a pessoa reside no ser profissional e o profissional integra a pessoa humana, de forma dialética. A partir de um referencial humanístico, desenvolvemos este estudo em uma abordagem qualitativa, com o objetivo  de identificar e analisar as percepções e os sentimentos do aluno do curso de graduação em Enfermagem, com relação à sua formação como pessoa/profissional. Os dados foram coletados através de entrevistas individuais com acadêmicos da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás, cujas falas foram submetidas a análise temática de conteúdo. Os resultados revelaram que os alunos percebem a formação acadêmica centrada em conhecimentos técnico-científicos, voltados especialmente ao atendimento das necessidades daqueles que vão ser assistidos, sem  considerar a pessoa que os assiste, além de sinalizar que a trajetória acadêmica é permeada por vários sentimentos que aparecem em função das experiências ocorridas ao longo dela. Ficou evidenciado ainda que, em situações específicas, principalmente ligadas à área de saúde mental, o aluno tem tido a oportunidade de expressar e lidar com seus próprios sentimentos. Consideramos que esta pesquisa oferece elementos importantes a serem repensados pelas Escolas de Enfermagem, visando a formação do aluno como pessoa integral e integrada em suas ações.

 

 


1 Dissertação de Mestrado defendida na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de são paulo em 2001, no Programa Enfermagem Psiquiátrica. Orientação: Profª. Drª.Denize Bouttelet Munari;

2 Enfermeira, Professora Assistente da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás. betesper@fen.ufg.br