SOUZA, S. M. B. Perfil epidemiológico da clientela dos centros de testagem e aconselhamento para o HIV em Goiás – Brasil. Revista Eletrônica de Enfermagem. vol. 4, nº2, p. 49. 2002. Disponível em http://www.fen.ufg.br


 

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA CLIENTELA DOS CENTROS DE TESTAGEM E ACONSELHAMENTO PARA O HIV EM GOIÁS – BRASIL, 19981

Sandra Maria Brunini de Souza2

 

Objetivos: Determinar e comparar o perfil sócio-demográfico, a prevalência da infecção pelo HIV e os fatores de risco da clientela dos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) de Goiânia e de Rio Verde, Goiás. Metodologia: Trata-se de estudo de corte transversal com amostra de população voluntária, que procurou o serviço para testagem anônima, confidencial e gratuita, no período de janeiro a outubro de 1998. A detecção de anticorpos anti-HIV consistiu na realização de duplo teste de ELISA (Enzyme Linked Immunossorbent Assay) e confirmação sorológica por Imunofluorescência Indireta, obedecendo às recomendações do Ministério da Saúde. Os dados epidemiológicos e os resultados de laboratório foram extraídos de questionários aplicados pelos profissionais do serviço, durante o aconselhamento pré-teste. A soroprevalência para o HIV foi calculada entre os indivíduos atendidos nos CTA de Goiânia e de Rio Verde e, a razão de prevalência (RP), com respectivos intervalos de confiança de 95% (IC 95%), foi estimada para os potenciais fatores de risco associados com a infecção. Resultados: Foram analisados 1784 registros da demanda espontânea, sendo 1156 (64,8%) de Goiânia e 628 (35,2%) de Rio Verde. Quando comparada com Rio Verde, a população do CTA de Goiânia mostrou maior proporção de mulheres, de desempregados, de indivíduos que preferiram o teste anônimo e de pessoas com história de testagem anterior. Em Rio Verde a exposição ao risco sexual, destacou-se entre os motivos da testagem quando comparado com Goiânia (67,5% vs. 33,2%; p < 0,01). A proporção de indivíduos que procuraram o serviço para conhecer seu status sorológico ou por indicação médica foi maior entre os clientes de Goiânia que de Rio Verde (28,3% vs. 10,8%; p < 0,01). A soroprevalência em Goiânia e em Rio Verde foi, respectivamente, 2,6% e 2,8% (p > 0,05). Indivíduos com escolaridade até o 1º grau apresentaram risco 2,2 (IC 95% 1,1 - 4,8) vezes maior de ser infectados quando comparados com os de maior escolaridade. Tanto para pessoas que referiram testagem prévia (RP = 6,2%; IC 95% 3,3 - 11,8) como para as que procuraram anteriormente o banco de sangue (RP = 3,8; IC 95% 1,8 - 7,9) houve associação com alto risco de  infecção pelo HIV. Conclusões: Os resultados deste trabalho mostraram que há diferenças epidemiológicas  entre indivíduos de Goiânia e de Rio Verde atendidos nos CTA. Essas informações podem contribuir no planejamento de intervenções de prevenção e vigilância do HIV, de forma regionalizada.

 

1Dissertação de Mestrado apresentada ao curso de Pós-Graduação do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da Universidade Federal de Goiás, área de concentração em Epidemiologia, sob orientação da Profa. Dra. Ana Lúcia S. Sgambatti de Andrade.

2 Enfermeira. Mestre em Epidemiologia. Professora Assistente da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás. brunini@fen.ufg.br