EDITORIAL


Todos aqueles ligados à Ciência, de qualquer área, sabe muito bem que a informação é o instrumento do poder atualmente. Quem detém a informação, tem o conhecimento, que traz, seqüencialmente, a tecnologia. Essa trilogia é, hoje, o que o poderio militar era no século passado.

A informação não está estacionária nas bibliotecas do mundo. Está inserida no espaço cibernético. Podemos dizer que ela está "nas pontas dos dedos", bastando saber digitar o caminho certo no teclado real ou virtual de um computador.

No mundo inteiro está havendo uma verdadeira corrida em direção as TIC – Tecnologias da Informação e Comunicação. Movimenta-se mais de 400 bilhões de dólares no mundo nesse segmento da economia mundial. Apenas nas três Américas, o setor das TIC emprega de 28% a 30% dos trabalhadores que vivem nos países do Continente. A projeção é de que esse percentual suba para 32,4% em 2006.

No setor educacional as TIC propiciaram extraordinários avanços. O processo de ensinar, por exemplo, que há mais de 400 anos tem se mantido quase inalterado, está atualmente sofrendo um impacto colossal, revolucionando a relação professor-aluno, desde o ensino fundamental ao universitário. O quadro-verde e o giz estão se tornando instrumentos do passado muito rapidamente.

Essa revolução está acontecendo em todo o planeta. Bem instalada nos países desenvolvidos e timidamente iniciante nos em desenvolvimento, mas há embrião desse movimento em todo o mundo. Sua velocidade é que sofre contratempos em termos mundiais.

No Brasil o setor privado da educação sai na vanguarda, mas os esforços no setor público são esperançosos. Há vários consórcios de escolas públicos, especialmente nas Universidades, para utilizar as TIC no sentido de propiciar o acesso, aos cursos superiores, de um maior número de pessoas. Exemplos disso são: Consórcio CEDERJ (http://www.cederj.edu.br/index2.php) – todas as Universidades públicas do Rio de Janeiro se uniram para oferecer curso de pedagogia a todos os professores do ensino fundamental e médio, que não tinham graduação, a se graduarem através de ensino a distância; Consórcio Universidade Virtual Pública do Brasil (antiga UNIREDE - http://www.unirede.br/informe/index.htm) – mais de setenta Universidades Públicas do Brasil se unem para a oferta de cursos de graduação na modalidade ensino a distância.

Dois consórcios aqui são citados, mas, existem muito mais. A modalidade de ensino utilizando as TIC, aqui caracterizada como ensino a distância, nome que está mudando de conceitualização, vem desafiando os professores a se engajarem na transformação do processo de ensinar. Desafio esse que poucos professores têm aceitado.

Das áreas do conhecimento, as sociais e humanas são as que mais têm se utilizado das TIC. A maior parte dos cursos na modalidade ensino a distância são dessas áreas. A área da saúde está muito tímida. Ao lado das dificuldades operacionais inerentes aos seus cursos, essa área é ainda muito conservadora. Hercúleo esforço tem demonstrado a UNICAMP, a USP, e UNIFESP, citando apenas algumas, para alavancar esse processo virtual de ensino, mas os resultados são ainda pequenos. Outro grande esforço nesse sentido tem vindo do Consórcio EDUMED (http://www.edumed.org.br/teleduc/pagina_inicial/index.php), criado pelo Instituto EduMed para Educação em Medicina e Saúde. Entretanto, a esperança é grande, como também é muito grande o benefício, em todos os sentidos, que esse sistema pode dar aos que trabalham na saúde, sejam os aplicadores ou os usuários.  É preciso, entretanto, que nós, os trabalhadores na área da saúde, tenhamos a coragem de assumir mudanças internas, no sentido pessoal, quanto externas, no sentido tecnológico. Precisamos mudar a nossa visão de ensino e aprendizagem, abrir-nos para novos caminhos na grande avenida cibernética dos bits e bytes. Quanto mais retardarmos em aceitar esses novos desafios, mais distantes estaremos da nova ordem de geração de profissionais para conduzir os negócios do mundo

Prof. Dr. Joaquim Tomé de Souza
Editor da REE