Artigo de Revisão
 

Chaves ECL, Carvalho EC, Rossi LA. Validação de diagnósticos de enfermagem: tipos, modelos e componentes validados. Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2008;10(2):513-20. Available from: http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n2/v10n2a22.htm

 

Validação de diagnósticos de enfermagem: tipos, modelos e componentes validados1

 

Validation of nursing diagnoses: validated types, patterns and components validated

 

Validación de diagnósticos de Enfermería: tipos, modelos y componentes validados

 

Erika de Cássia Lopes ChavesI, Emília Campos de CarvalhoII, Lídia Aparecida RossiII

I Enfermeira. Doutoranda do programa Enfermagem Fundamental da EERP-USP. Docente da Universidade Federal de Alfenas – Minas Gerais. E-mail: echaves@unifal-mg.edu.br

II Enfermeira. Professora Doutora do Departamento de Enfermagem Fundamental da EERP-USP. Ribeirão Preto/SP. E-mail: ecdcava@eerp.usp.br

 

 


RESUMO

A validação de diagnóstico de enfermagem é uma etapa importante para o desenvolvimento do conhecimento e da prática profissional. Este estudo tem como meta identificar os modelos utilizados para o processo de validação de diagnósticos de enfermagem, os tipos de validação empregados e os componentes dos diagnósticos validados nos estudos de pós-graduação produzidos no Brasil.  Trata-se de uma revisão de literatura, realizado por meio da busca em bancos dados on line, utilizando uma abordagem quantitativa. Foram observadas diferentes etapas de validação realizadas pelos diferentes autores, predominando a validação de conteúdo e clínica conjunta. Observou-se que os autores denominam tais processos com nomes semelhantes. O modelo de Fehring foi a abordagem metodológica mais utilizada. As características definidoras do diagnóstico constituem o maior foco de análise. Conclui-se que o investimento de pós-graduação neste tipo de estudo é recente, a partir de 1994; é também pequeno e apresenta diversidade metodológica, o que dificulta a adoção de uma metodologia de validação de diagnósticos de enfermagem.

Palavras chave: Diagnósticos de Enfermagem; Estudos de validação; Enfermagem.


ABSTRACT

The validation of nursing diagnosis is an important step for knowledge development and professional practice. This study aimed at identifying the patterns used in the validation process of nursing diagnoses, the types of validation applied and the components of diagnoses validated in the post graduation courses created in Brazil. It is a study of literature review, performed by means of search in on line data bases, utilizing a quantitative approach. The different steps of validation by different authors were observed and the prevalence was the one of contents and conjoined clinic. The authors name such processes after similar names. Fehring’s pattern was the most utilized methodological approach. The defining characteristics of the diagnosis constitute the greatest focus of analysis. It was concluded that the post graduation investment in that kind of study is recent, as from 1994; it is also small and presents methodological diversity, which makes it difficult to adopt a validation methodology of nursing diagnoses.

Key words: Nursing Diagnoses; Validation studies; Nursing.


RESUMEN

La validación de diagnóstico de enfermería es una etapa importante para el desarrollo del conocimiento y de la práctica profesional. El estudio tiene como meta identificar los modelos utilizados para el proceso de validación de diagnósticos de enfermería, los tipos de validación empleados y los componentes de los diagnósticos validados en los estudios de posgrado producidos en Brasil. Es un estudio de revisión de literatura, realizado por medio de la búsqueda en bancos dados en la Internet, utilizando un abordaje cuantitativo. Habían sido observadas diferentes etapas de validación realizadas por los diferentes autores, predominando la de contenido y clínica conjunta. Se observó que los autores denominan tales procesos con nombres semejantes. El modelo de Fehring fue el abordaje metodológico más utilizado. Las características definidoras del diagnóstico constituyen el mayor foco de análisis. Se concluye que la inversión de posgrado en este tipo de estudio es reciente, a partir de 1994; es también pequeña y presenta diversidad metodológica, lo que dificulta la adopción de una metodología de validación de diagnósticos de enfermería.

Palabras Claves: Diagnósticos de Enfermería; Estudios de validación; Enfermería.


 

 

INTRODUÇÃO

A North American Nursing Diagnosis Association (NANDA) busca identificar e nomear as respostas humanas suscetíveis a ações de enfermagem, por conseguinte é importante haver precisão no julgamento clínico do enfermeiro. O diagnóstico de enfermagem é um instrumento de planejamento direcionado para as necessidades de cuidados em situações clínicas específicas(1).

O requisito mínimo para um diagnóstico estar na classificação da NANDA é a argumentação teórica consistente, com base na literatura e na descrição de casos clínicos reais(2). Isso significa que os diagnósticos aprovados para a classificação devem ser refinados, ou seja, validados, de forma que assegurem uma aplicação prática precisa.

O conhecimento teórico-conceitual que sustenta cada diagnóstico de enfermagem ainda está pouco desenvolvido para vários deles. Na prática o enfermeiro se depara com a tarefa de julgar e selecionar qual diagnóstico melhor representa um determinado conjunto de características definidoras; contudo quando essas são compartilhadas por vários diagnósticos, surgem problemas como o grau de incerteza no julgamento e o risco de estabelecer diagnósticos pouco acurados(1).

Para ampliar a confiabilidade desses diagnósticos, é necessário submetê-los á um processo de validação, refinando o conjunto de indicadores clínicos e tornando confiável sua utilização, tanto na prática como no ensino. A tarefa de investigação e validação dos diagnósticos de enfermagem possibilitará aperfeiçoar e legitimar os elementos da taxonomia da NANDA, aumentando sua capacidade de generalização e de predição(3).

O termo validar, dentre outras significações, quer dizer legitimar, portanto, validar um diagnóstico de enfermagem significa torná-lo legítimo para aquela situação clínica e para todos os profissionais de enfermagem(4).

Usado em procedimentos estatísticos, o processo de validação é uma constante preocupação na medição de fenômeno de enfermagem, pela qual são colhidas evidências que estabelecerão o rigor e a autenticidade do fenômeno.

A validade refere-se à medida daquilo que se propõe a medir e sua exatidão ou precisão. Existem diferentes tidos de validade, que variam de acordo com o propósito do investigador e com o tipo de informação fornecida(5). A validade de conteúdo envolve essencialmente o exame sistemático do conteúdo para determinar se ele abrange uma amostra representativa do domínio de comportamento a ser medido. A validade do construto de um instrumento é a extensão em que o mesmo mede um construto ou um traço e sua determinação requer o acúmulo gradual de informações de várias fontes e formulação de hipóteses que podem ser provadas ou refutadas no processo de validação(6).

A validade de conteúdo também pode ser definida como a associação entre um diagnóstico identificado e a observação dos sinais clínicos(7). A American Psichocological Association (APA)(8) esclarece que esse tipo de validação pode ser realizada por meio de uma análise de conceito, na qual ocorre a produção da definição operacional de um conceito e os meios de mensurá-lo e também pelo julgamento da relevância do conteúdo por peritos. Uma observação clínica é válida se corresponder ao estado verdadeiro dos fenômenos que estão sendo medidos(9).

A validação dos diagnósticos de enfermagem é alvo de estudo em diferentes países(10). Os primeiros estudos sobre validação de diagnósticos, embora relevantes, empregavam métodos subjetivos, eram descritivos e retratavam dificuldades metodológicas; dificultando a replicação desses estudos(11-12). No Brasil, a produção nesta área é recente, tendo iniciada sua divulgação nos Simpósios de Diagnósticos de Enfermagem a partir de 1992.

Carvalho et al(13) apresentam alguns modelos para validação de diagnósticos de enfermagem: o Modelo de Avant; o Modelo de Gordon e Sweeney, subsidiado pelo método retrospectivo, clínico e de validação de diagnóstico diferencial; o Modelo de Hoskins composto por análise de conceito; validação por especialistas e validação clínica; o Modelo de Fehring,  no qual se observa a validação de conteúdo diagnóstico; validação clínica de diagnóstico, correlação etiológica e validação de definição diagnóstica. Além desses modelos também é observada a validação de diagnósticos por meio de procedimentos metodológicos ou validação de instrumentos, como por exemplo, o modelo de validação de Pascoali, que contribuem para a validação de construto e de conteúdo relacionado ao diagnóstico de enfermagem.

A análise das produções científicas da enfermagem mostra-se relevante por evidenciar, sob diferentes aspectos, como a profissão vem se apropriando e ampliando a sua área de conhecimento. Marques; Tyrrel e Oliveira(14) relatam que por razões históricas, políticas e/ou sociais, a enfermagem demorou a se inserir na prática da pesquisa científica, contudo, tem buscado avançar progressiva e constantemente na experimentação e incorporação de modelos e metodologias que melhor se adaptem a analise de seus objetos de investigação.

Em 2005, Erdnann e colaboradores(15) realizaram um estudo sobre as teses produzidas nos programas de pós-graduação em enfermagem no Brasil e concluíram que há uma tendência para estudos de abordagem qualitativa, e que os estudos de intervenção na prática profissional e de desenvolvimento de tecnologias ainda são poucos e estão em desenvolvimento, sinalizando a necessidade deste tipo de pesquisa na enfermagem.

Carvalho et al(13), analisando a produção de estudos sobre validação de diagnósticos de enfermagem, apontaram a escassez de pesquisas sobre o tema no país, demonstrando a necessidade de investimento por parte dos enfermeiros clínicos e também daqueles ligados ao ensino.

A validação dos Diagnósticos de Enfermagem, bem como suas características definidoras, permeia a incorporação desses diagnósticos na prática de enfermagem, entretanto os conceitos dos diagnósticos aprovados pela NANDA necessitam ser testado por meio da pesquisa clínica, daí a importância destes estudos para a prática profissional. Portanto, diante deste contexto, este estudo tem o objetivo de identificar os tipos, os modelos e os componentes utilizados no processo de validação de diagnósticos de enfermagem, a partir de um levantamento dos estudos de pós-graduação sobre validação de diagnósticos de enfermagem produzidos no Brasil.

 

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo exploratório e descritivo, com uma abordagem quantitativa. A identificação do objeto de estudo na literatura nacional foi realizada por meio de uma busca em base de dados on line. Utilizou-se o acesso eletrônico da biblioteca virtual da BIREME (Centro Especializado da Organização Pan-Americana da Saúde); o Banco de Teses da CAPES (Coordenação de aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), DEDALUS (Banco de Dados Bibliográficos da USP) e do CEPEn (Centro de Estudos e Pesquisa em Enfermagem) da ABEn, (Associação Brasileira de Enfermagem). A opção por esses bancos de dados se justifica por serem os mais conhecidos e utilizados por enfermeiros e por reunirem o maior número possível de estudos brasileiros de pós-graduação. 

A busca nas bases de dados ocorreu em outubro de 2006 e foi adotado como critério inicial para a consulta a utilização do descritor “diagnóstico de enfermagem” combinado com o termo “validação”. O critério estabelecido para inclusão foi: estudos resultantes de teses e dissertações realizadas no Brasil até o presente momento e que apresentassem a validação de diagnóstico como procedimento metodológico.

Em virtude das características específicas para o acesso às bases de dados selecionadas, as estratégias utilizadas para localizar os estudos foram adaptadas para cada uma, considerando os critérios de inclusão e objetivo do estudo.

Por meio da Biblioteca Virtual em Saúde, a BIREME, foram encontrados 21, 11, 1 e 5 estudos nas bases de dados Lilacs,  Bdenf,  Adolec e Medline, respectivamente. Como alguns estudos estavam registrados em mais de uma base de dados, apenas 22 estudos foram considerados (21 Lilacs e 1 Medline), e destes, somente 12 preenchiam os critérios de inclusão.

No portal de Teses da CAPES, foram encontrados 50 estudos e selecionados 17, conforme critérios de inclusão; no DEDALUS, foram encontrados 29 estudos e selecionados 9 e no CEPEn encontrados 19 e selecionados 14 estudos. Algumas publicações também se repetiram nesses bancos de dados.

Ao final, a amostra ficou constituída por 24 estudos (conforme é demonstrado na Figura 1). Os trabalhos foram lidos e sintetizados em um banco de dados contendo título, ano de publicação, autores, objetivos, metodologia, tipo de validação empregada, elemento do diagnóstico analisado, população alvo, tipo de estudo, fonte de origem e ano de publicação. Posteriormente, procedeu-se a categorização dos estudos quanto à sua abordagem, considerando o enfoque principal.

figura1

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Desde 1990, ano em que foi traduzida pela primeira vez a taxonomia da NANDA no Brasil(16) até o ano de 2006, foram encontradas 6 teses e 18 dissertações sobre a validação de diagnósticos no país, concentrados predominantemente no Estado de São Paulo (79,5%) (veja Tabela 1). O primeiro trabalho foi defendido em 1994 e somente a partir 2000 que houve maior interesse no tema; com maior ocorrência nos ano de 2001 e 2003. No ano de 2006 não foram registrados estudos, o que pode estar relacionado à morosidade do processo de publicação deste tipo de produção e ao atraso no envio aos bancos de teses. O fato de no mestrado haver maior número de alunos e ter duração menor que no doutorado (14)  pode explicar a geração de um maior número de produção nesta área.

tabela1

Em 1991, Cruz(17) já havia refletido sobre a escassez de estudos dirigidos aos diagnósticos de enfermagem, seja para criação de uma taxonomia ou para a validação das propostas existentes, denunciando a necessidade de pesquisa na área. De uma forma geral, a acurácia dos diagnósticos de enfermagem não tem recebido suficiente atenção(18).

A Tabela 2 apresenta os tipos de validação empregados nos estudos, na qual se observa o predomínio nas validações clínicas e de conteúdo associadas (33,3%), contudo houve divergência entre os autores das teses e dissertações sobre os passos que compõem cada tipo de validação ou mesmo sua denominação.  O que se notou foi que os diferentes autores realizaram diferentes etapas de validação e as denominaram semelhantemente.

tabela2

Carvalho et al(13) afirmam que a seqüência dos passos empregados por pesquisadores brasileiros para a realização dos estudos denominados de validação clínica sofreu modificações no decorrer do tempo. Na década de 90, era empregada a construção do instrumento para coleta de dados referentes ás características definidoras do(s) diagnóstico(s) estudado(s); a observação da incidência das características definidoras em uma dada amostra, a seleção das que apresentam freqüência maior que 50% na amostra e a verificação de consenso entre enfermeiros sobre pertinências dessas características ao(s) diagnóstico(s) estudado(s); e também era empregada a análise das características definidoras por meio de revisão da literatura. Após o ano de 2000, passa a ser empregado o levantamento bibliográfico de possíveis características relacionadas ao(s) diagnóstico(s) estudado(s), com suas respectivas definições operacionais, a verificação da pertinência dessas características definidoras junto à peritos e a verificação da incidência das características validadas na fase anterior em uma amostra com ou sem o(s) diagnóstico(s) estudado(s). 

Assim como no estudo realizado por Carvalho et al(13), o termo validação de conteúdo foi identificado como sendo empregado tanto para análise conceitual (feita pelo autor à luz da literatura), quanto para avaliação por especialistas, sobre a pertinência de algum conceito ou de sua representatividade; estes dois aspectos são fases distintas da validação de conteúdo.

Na Tabela 3 observa-se que o modelo de validação empregada, na maioria dos estudos (58,3%) foi o de Fehring, contudo quanto aos critérios mencionados pelo autor para seleção de peritos, nota-se que foi parcialmente obedecida. Dentre os estudos que optaram por este modelo de validação, 42,8% trabalharam com um número de peritos inferior a 25 (número mínimo de peritos recomendado por Fehring(4)); 35,7% escolheram os peritos durante a participação de eventos de enfermagem; não especificando a pontuação mínima utilizada como parâmetro para sua seleção, como recomenda Fehring (5 pontos), e 21,4% não esclareceram o número de peritos utilizados para o estudo.

tabela3

A dificuldade de identificar enfermeiras peritas no diagnóstico que se pretende validar foi observada na literatura internacional e nacional(12-13), sobretudo respeitando os escores propostos por Fehring(4). No Brasil, esse problema é acentuado pelo número reduzido de enfermeiras especialistas em uma determinada área de interesse do diagnóstico a ser validado ou de enfermeiras que utilizam o diagnóstico de enfermagem na prática clínica; o que, segundo Souza(19), está relacionado a questões de preparo acadêmico, situações burocráticas, políticas e econômicas, já conhecidas e que desafiam os profissionais da área a buscar soluções.

Referente ao elemento do diagnóstico analisado, os resultados são apresentados na Tabela 4 e também corroboram com os achados de Creason10 sobre validação de diagnósticos de enfermagem, pois o autor menciona que a maioria desses estudos apresenta uma diversidade no desenho da pesquisa, analisando um único diagnóstico, ou ainda, tratando diretamente de um conceito e suas manifestações; outros focalizam um diagnóstico da NANDA e buscando confirmá-lo, examinando diretamente registros ou prontuários.

tabela4

Os resultados mostram uma preocupação do enfermeiro em analisar clínica e conceitualmente as características definidoras do(s) diagnóstico(s), principal elemento enfocado (41,7%). Braga e Cruz(1) consideram que para haver uma familiaridade com o processo diagnóstico é importante que os enfermeiros se dediquem a analisar os conceitos de seus achados clínicos, explorando conceitualmente os diagnósticos potencialmente freqüentes na sua prática clínica; buscando respostas a questões como: quando o fenômeno ocorre? Por que ele ocorre? Como podemos lidar com ele? Como podemos preveni-lo? Que outras condições ocorrem ao mesmo tempo?

É recomendável validar os demais componentes do diagnóstico de enfermagem como título, definição, fatores de risco, fatores relacionados e mesmo a própria estrutura taxonômica, como têm sido feito em outras classificações(20), pois os estudos que tratam da validação desses elementos ainda são um número pequeno no Brasil, como pôde se visto neste estudo (Tabela 3).

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os estudos de validação de diagnósticos de enfermagem são relativamente recentes no Brasil e apresentam diversidades com relação ao tipo e modelo de validação empregada. A classificação quanto ao tipo de validação foi diversificada e poucos estudos reproduziram o mesmo referencial. Alguns dos estudos analisados utilizaram procedimentos metodológicos como parte do processo de validação, porém estes não são considerados modelos específicos para validação de diagnósticos de enfermagem. Os componentes diagnósticos utilizados no processo de validação de diagnósticos de enfermagem foram bem variados, apesar da predominância da validação das características definidoras.

Aspectos importantes, como a utilização de instrumentos válidos e confiáveis para coleta de dados e o número adequado de peritos são dificuldades que se refletem nos estudos brasileiros; muitos diagnósticos são subjetivos e não possuem instrumentos de mensuração adaptados culturalmente, e outros envolvem áreas de conhecimento ainda incipientes na enfermagem, o que está aliado ao reduzido número de profissionais envolvidos neste tipo de pesquisa.

A validação de diagnósticos de enfermagem é uma ferramenta necessária para alicerçar a prática clínica do enfermeiro, uma vez que subsidia tanto o estabelecimento das intervenções de enfermagem quanto à avaliação propriamente dita. O presente estudo aponta a escassez de pesquisas e também a necessidade de se aplicar metodologias que favoreçam a replicação desse tipo de investigação e a generalização dos resultados.

A limitação deste estudo está no uso da classificação dos tipos de validação designada pelos estudos da amostragem, o que dificulta a analise e compreensão destes passos de forma generalizada.

 

REFERÊNCIAS

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Artigo recebido em 07.05.07

Aprovado para publicação em 30. 06.08

 

 

1 Artigo desenvolvido a partir de atividade da disciplina: ERG5873 - Sistemas de Classificação em Enfermagem. Programa de Pós Graduação. Área Enfermagem Fundamental – Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto-Universidade de São Paulo (EERP-USP)

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