Editorial

 
Garcia TR, Nóbrega MML. Sistematização da assistência de enfermagem: há acordo sobre o conceito? Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2009;11(2):233. Available from: http://www.fen.ufg.br/revista/v11/n2/v11n2a01.htm.
 

Sistematização da assistência de enfermagem: há acordo sobre o conceito?

 

 

Telma Ribeiro GarciaI, Maria Miriam Lima da NóbregaII

I Docente da Universidade Federal da Paraíba, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, CCS-UFPB. Diretoras do Centro para Pesquisa e Desenvolvimento da CIPE® do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Paraíba – Brasil, Acreditado pelo CIE. Pesquisadora CNPq. E-mail: telmagarciapb@gmail.com.

II Docente da Universidade Federal da Paraíba, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, CCS-UFPB. Diretoras do Centro para Pesquisa e Desenvolvimento da CIPE® do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Paraíba – Brasil, Acreditado pelo CIE. Pesquisadora CNPq. E-mail: miriam@ccs.ufpb.br.


 

 

A prática profissional da Enfermagem caracteriza-se por ser, predominantemente, assistemática e, sempre que iniciamos uma reflexão sobre Sistematização da Assistência de Enfermagem, nos deparamos com uma série de questionamentos a respeito, entre os quais seu significado para os componentes da equipe de enfermagem. Há, na literatura nacional da área, uma profusão de termos associados ao tema, o que tem contribuído para dificultar sua compreensão. Em artigos publicados em periódicos nacionais da área, nos últimos dez anos, identificamos, além de Sistematização da Assistência de Enfermagem, termos como Consulta de Enfermagem, Metodologia da Assistência de Enfermagem, Metodologia do Cuidado de Enfermagem, Planejamento da Assistência de Enfermagem, Processo de Assistência de Enfermagem, Processo de Atenção em Enfermagem, Processo de Cuidar em Enfermagem, Processo de Enfermagem e Processo do Cuidado de Enfermagem, entre outros, empregados com traços semânticos às vezes distintos, outras vezes semelhantes ou associados.

Atualmente, Sistematização da Assistência de Enfermagem, Metodologia da Assistência de Enfermagem e Processo de Enfermagem, os três mais freqüentemente citados na literatura, começam a ser analisados e compreendidos como termos distintos, a despeito do indiscutível inter-relacionamento em sua aplicação na prática profissional. Tomemos como ponto de partida para a compreensão sobre a possível existência de traços semânticos distintos entre esses termos a seguinte afirmativa: “... o Processo de Enfermagem exige uma sistematização consciente do trabalho, a partir de uma metodologia adequada à produção do cuidado necessário”(1).

Em sentido denotativo ou referencial, sistematizar, significa tornar algo sistemático, ou seja, ordenado, metódico; coerente com determinada linha de pensamento e/ou de ação. A expressão Sistematização da Assistência de Enfermagem pode ser entendida como a organização das condições necessárias à realização do Processo de Enfermagem, no que diz respeito a método, pessoal e instrumentos(1). Por seu turno, o termo processo, também em sentido denotativo ou referencial, indica uma seqüência de estados de um fenômeno em momentos específicos do tempo. Essa seqüência de estados pressupõe a ocorrência de uma ação ou de um conjunto de ações, por meio de um determinado modo de fazer, regulado por um determinado modo de pensar, ou seja, por uma concepção do fenômeno, de sua origem e de sua potencialidade de transformar-se ou de ser transformado. Partindo dessa compreensão, é possível definir o Processo de Enfermagem como um instrumento metodológico que possibilita identificar, compreender, descrever, explicar e/ou predizer as necessidades da pessoa, família ou coletividade humana, em um dado momento do processo saúde e doença, demandando o cuidado profissional de enfermagem(2).

Enquanto a Sistematização da Assistência de Enfermagem organiza as condições necessárias à sua realização, o Processo de Enfermagem, executado de modo sistemático e deliberado, define as necessidades, orienta o cuidado e documenta os resultados obtidos com a ação/intervenção executada, não somente evidenciando a participação da Enfermagem na atenção à saúde da população mas, também, contribuindo para a visibilidade e o reconhecimento profissional.

Obviamente, essas reflexões não se esgotam aqui. Necessitamos aprofundá-las em todos os campos de nossa prática (ensino, assistência, pesquisa, gerenciamento do cuidado), de modo a promover usos terminológicos mais harmônicos. Há, entre os diferentes termos aqui abordados, relações associativas possíveis de serem identificadas e descritas? Trata-se de pseudo-sinônimos, ou seja, tem havido designações incorretas desses termos? Quais os traços ou características comuns a esses termos e quais os traços semânticos que os distinguem? São questões que estão a demandar esforços teóricos, de modo a ampliar nosso entendimento acerca do fenômeno Sistematização da Assistência de Enfermagem, que possa gerar novos conhecimentos e inovações tecnológicas na prática profissional.

 

REFERÊNCIAS

1. Leopardi MT. Teoria e método em assistência de enfermagem. 2nd ed. Florianópolis: Soldasof; 2006.

2. Garcia TR, Nóbrega MML. Processo de Enfermagem: da teoria à prática assistencial e de pesquisa. Esc. Anna Nery. 2009,13(1):188-93.

 

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