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Resumo
 

Trindade RFC. Entre o sonho e a realidade: a maternidade na adolescência sob a ótica de um grupo de mulheres da periferia da cidade de Maceió–AL. Rev. Eletr. Enf. [Internet] 2007;9(1):277-8. Available from: http://www.fen.ufg.br/revista/v9/n1/v9n1a23.htm

 

Entre o sonho e a realidade: a maternidade na adolescência sob a ótica de um grupo de mulheres da periferia da cidade de Maceió–AL1

 

Between dream and reality: maternity in adolescence under the vision of a group of women from Maceio city suburbs – Alagoas

 

Entre el sueño y la realidad: la maternidad en la adolescencia bajo la óptica de un grupo de mujeres de la periferia de la ciudad de Maceió-Alagoas

 

 

Ruth França Cizino da TrindadeI

IEnfermeira, Professora Doutora da Escola de Enfermagem e Farmácia da Universidade Federal de Alagoas. E-mail: ruth_trindade@yahoo.com.br.

 

 


RESUMO

Este foi um estudo de natureza qualitativa, que teve como objetivo compreender, a partir da experiência de mulheres que se tornaram mães na adolescência, o significado da maternidade no contexto de vida destas mães. Participaram 14 mulheres na faixa etária de 20 a 24 anos, residentes na periferia de Maceió, capital do estado de Alagoas. A coleta de informação foi realizada por meio de entrevistas, utilizando a história oral temática como procedimento metodológico. Foram construídas narrativas, a partir das histórias de vida das mulheres, posteriormente, analisadas à luz do referencial de gênero. Observamos que as entrevistadas tiveram sua iniciação sexual durante o período de namoro quando não haviam recebido orientações prévias sobre sexualidade ou saúde reprodutiva. Algumas mulheres conviviam com seus parceiros quando aconteceu a gravidez, porém, mesmo assim, consideraram esse fato inesperado. Houve aceitação da gravidez pela maioria delas, e também ocorreu a união, ainda que não de maneira legalizada, de muitos casais que não viviam juntos. Tentativas de abortamento, quando da não-aceitação imediata do parceiro, foram relatadas. As questões de gênero mostram-se presentes nas relações conjugais, com os parceiros figurando como provedores da família e as mulheres mantidas sob sua dependência, centradas no ambiente doméstico, assumindo responsabilidade pelo cuidado da casa, dos filhos e do companheiro. Os homens agiam mais livremente, mantendo relações extraconjugais e chegavam a agredir suas mulheres, em casa. Apesar de ressentidas com essa atitude dos companheiros, elas mantinham o relacionamento com eles. As entrevistadas deixaram explícito que lamentavam a perda da liberdade, do lazer, da oportunidade de trabalho e de estudo ao assumirem a maternidade. Por outro lado, enfatizaram seu não-arrependimento por terem levado a gravidez até o fim. Assim o cotidiano dessas mulheres parece centralizado no cuidar dos filhos, conscientes de que são elas as principais responsáveis por eles, voltando todos os seus projetos de vida para este cuidado. A vida dessas mães é marcada pelas condições de desigualdade em que vivem, social-econômica-cultural e de gênero. Dessa forma, apesar de seus desejos manifestos elas encontram poucas oportunidades objetivas de romperem com o contexto de vida em que estão inseridas.

Palavras chave: Gravidez na adolescência; Saúde reprodutiva; Saúde da mulher; Comportamento reprodutivo; Identidade de gênero; Feminismo.


SUMMARY

A qualitative study, which aimed at comprehending, by the experiences of women who became mother in adolescence, the meaning of maternity in their context of life. Fourteen women from 20 to 24 years old, who lived in Maceio suburbs, capital of Alagoas State, took part in the study. The information collection was carried out through interviews, using thematic oral history as methodological procedure. We built narratives from these women’s life history and, later, we analyzed these narratives based on gender referential. We observed that interviewees had their sexual initiation during dating period when they had received no previous orientation concerning sexuality or reproductive health. Some women lived with their partners when pregnancy occurred, even though they considered it to be unexpected. The great majority of them accepted pregnancy, and there were also unions, even if they were not legalized, of many couple who did not lived together. There were reports of abortion attempts when the partner did not accept the pregnancy immediately. Gender questions are present in conjugal relations, with the partners figuring as family providers and women dependent on them, focused on domestic environment, taking the responsible by home, kids and partner’s care. Men acted freely, maintaining extra-conjugal relations and hitting their wives at home. Although resentful with their partner’s attitude, they maintained the relation. The interviews made explicit the lamentation with the lost of freedom, working and studying opportunities when assuming maternity. On the other hand, they emphasized their non-regret for taking their pregnancy till the end. This way, their daily living seems to be centered on their kids caring and they are conscious that they are the main responsible by them, turning their projects of life for this care. These mothers’ lives are marked by inequality, social, economical, cultural and gender conditions in which they live. This way, despite their manifested desire, they find few objective opportunities of breaking with life context in which they are inserted.

Key words: Pregnancy in adolescence; Reproductive health; Women’s health; Reproductive behavior; Gender identity; Feminism.


RESUMÉN

Este fue un estudio cualitativo, que tuvo como objetivo comprender, a partir de la experiencia de mujeres que se hicieron madres en la adolescencia, el significado de la maternidad en sus contexto de vida. Participaron 14 mujeres  entre 20 y 24 años, residentes en la periferia de Maceió, capital del Estado de Alagoas. La recolección de información fue realizada por medio de encuestas, utilizando la historia oral temática como procedimiento metodológico. Fueron construidas narrativas, a partir de las historias de las mujeres y luego, analizadas de acuerdo con el referencial de género. Observamos que las encuestadas tuvieron su iniciación sexual durante el periodo de  enamoro cuando no recibieron orientaciones anteriores acerca de sexualidad o salud reproductiva. Algunas mujeres convivían con sus compañeros cuando se embarazaron, pero, aún así, consideraron este un facto inesperado. Hubo aceptación del embarazo por la mayoría de ellas y incluso con la unión, aún que no de manera legalizada, de muchas parejas que no vivían juntas. Tentativas de aborto, cuando los compañeros no aceptaban el embarazo de inmediato, fueron relatadas. Las cuestiones de género se muestran presentes en las relaciones matrimoniales, con los compañeros figurando como proveedores de la familia y las mantenidas mujeres bajo su dependencia, centradas en el ambiente doméstico, asumiendo la responsabilidad sobre el cuidado del hogar, de los hijos y del compañero. Los hombres actúan más libremente, manteniendo relaciones extra-matrimoniales y agrediendo a sus mujeres en casa. A pesar de resentidas con esta actitud de los compañeros, ellas mantenían la relación con ellos. Las encuestadas dejaron explícito que lamentaban la pérdida de la libertad, del ocio, de la oportunidad de trabajo y del estudio para asumir la maternidad. Por otro lado, enfatizaron no tener arrepentimiento por llevar a cabo el embarazo. De esta manera, el cotidiano de esas mujeres parece centralizado en el cuidar de los hijos, conscientes de que son ellas las responsables por ellos, volviendo todos sus proyectos de vida para este cuidado. La vida de estas madres es marcada por las condiciones de desigualdad en las que viven: sociales, económicas, culturales y de género. De esa forma, a pesar de sus deseos manifiestos, ellas encuentran pocas oportunidades objetivas de romper con el contexto de vida en que están inseridas.

Palabras Clave: Embarazo en adolescencia; Salud reproductiva; Salud de las mujeres; Conducta reproductiva; Feminismo.

 

 

Resumo enviado em 02.01.07

Aprovado para publicação em 30.04.07

 

 

1 Tese de Doutorado apresentada ao Programa Interunidade de Doutoramento em Enfermagem da Universidade de São Paulo. Ribeirão Preto/SP (187p.), sob a orientação da Profa Dra. Ana Maria de Almeida. Defendida em 18 de julho de 2005.

 
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